pulo

31 de ago de 2017

Filho


Filho é a prova concreta da sua continuação no planeta e que a lei das almas existem; inclusive suas provações. Tenho as minhas com Tutu, fato comprovado cotidianamente.

Me veio um menino doce, meigo, amoroso, tímido e sensível; tudo que já fui e na marra suprimi, matei ou involuí dentro de mim. E me vejo lidando, por vezes, comigo mesma;  me esforçando para não reproduzir os erros que tiveram comigo, ao mesmo tempo em que luto para amadurecê-lo, com o reles intuito de fazer com que ele sofra menos do que eu, na mesma idade.

E a Flavinha avoadinha da escola, se uniu ao Claudinho hiperativo e esquentadinho da sala de aula, resultando no atual Tutu. Obviamente passo perrengue num sistema de ensino público engessado, quantitativo e podante; pq embora Tutu seja inteligente, o excesso de cimento nos pés o incomodam, fazendo com que a mente fértil saia dos muros escolares, ou viaje no balançar dos lápis em suas mãos, resultando em inúmeros deveres sem conclusão; atitude que não combina com qualquer estilo formal de ensino.

E eu sofro horrores com isso, pq como qualquer mãe, não quero que meu filho sofra ou passe por discriminação, pq obviamente fiz projeções sobre ele (quem nunca?); pq como Pedagoga não queria ter um filho "problema" na escola (logo eu que trato e cobro os problemas alheios escolares com afinco); pq como cidadã queria um filho exemplar (sem me dar muito trabalho, rs). Mas como na vida nunca é aquilo que queremos, eu precisava fazer algo, antes de explodir em frustrações ou depressões.

E Tutu saiu do CMEI e foi para a EMEF, assim e alí, se iniciaram os meus grandes problemas maternos.

Eu que já tenho a fama de Pedagoga do Capiroto, agora sou a Mãe dos Infernos; tudo pq no início do ano letivo meu filho caiu numa sala cuja professora me chamou na segunda semana de aula para perguntar se meu filho era Autista ou TDAH; pq além de não compreender nada que o menino falava, não obteve laços com ele, não conseguia o atingir pedagogicamente e nem pessoalmente, e exigia que eu levasse Tutu ao Neurologista urgentemente para saber o que ele tinha.

Nas primeiras falas eu fiquei abobada, depois fiquei absurdamente ofendida, não só como Mãe, mas como Pedagoga. Obviamente ela não sabia minha profissão, mas fiz questão de dizer e mostrar; pedi os embasamentos dela e da Pedagoga em duas semanas de aula, perguntei o que ela fez para a adaptação dos alunos, que vindos de CMEIs, obviamente estavam "perdidos" numa EMEF tão grande como aquela; perguntei se ela era formada em Psicopedagogia ou alguma especialidade médica de alto nível para em duas semanas cogitar sobre qualquer problema ou distúrbio neurológico em seus alunos; enfim, falei e falei muito. Discursei sobre o currículo e as normativas do Município, questionei a Pedagoga (muda até então) sobre que procedimentos ela tomou em 2 semanas de aula com meu filho e se ela tinha conhecimento de quem ele ao menos era, além de perguntar como uma professora tem a coragem de "diagnosticar" os alunos, além de dizer que eles precisam ser quietos, que fiquem sentados em seus lugares, pq não quer ter problemas. Mas ao final da reunião, onde virou um grande monólogo da minha parte, pois tanto Professora quando Pedagoga  não possuíam mais capacidade de argumentação; falei que levaria Tutu ao Neurologista para que constasse que não me opus ao pedido da escola.

Na semana seguinte fui ao Neuro que ficou estupefato e obviamente disse que Tutu não era Autista e muito menos TDAH; mas possui baixa concentração, causada pela imaturidade, coisa que passa com o tempo e receitou um remédio de baixa dosagem para auxiliar meu filho e a escola parar de "encher o saco" nas palavras dele.



Retornei a escola, pedi uma Reunião Pedagógica com a presença do Diretor, o que infelizmente não ocorreu, e após expor tudo que eu tinha para falar, inclusive que o médico não daria nenhum laudo no início do tratamento, exigi a troca de turma para meu filho, alegando incompatibilidade da Professora com meu filho e agora a falta de confiança da Família com a profissional. A resposta da Pedagoga é que ela passaria esse meu pedido ao Diretor na data oportuna. Saí da escola, fui trabalhar e em casa, liguei novamente para a escola, querendo falar urgentemente com o Diretor. Obviamente ele não sabia de nada que estava acontecendo, concordou imediatamente com as minhas falas, prometeu transferir meu filho para outra classe e sanaria tal situação, tomando as devidas providências cabíveis sobre o ocorrido com as profissionais envolvidas. Em dois dias ele me retornou para avisar qual turma receberia Tutu.

Mais aliviada por Tutu estar em outra sala, sabia que não demoraria para ser chamada para outra reunião; a nova professora iniciou sua fala querendo defender a colega de profissão (percebe-se aí a fama que adquiri, não é?) e assim tomou a primeira resposta materna e pedagógica de minha parte, onde falei que a reunião era sobre o meu filho e se ela tinha algum questionamento ou fala sobre a colega de trabalho, que a fizesse à Direção Escolar, e que por ética não falaria sobre o assunto com pessoa não autorizada. Tanto Pedagoga (calada como sempre) e professora entenderam que, ou entravam no assunto do meu filho ou eu ia embora.

Sobre Tutu, nas demais reuniões que compareci, inclusive a do Plantão Pedagógico, a reclamação continuava a mesma; sua enorme distração, a mania de não ficar por muito tempo sentado, a demora em copiar do quadro ou em terminar tarefas; mas desta vez a professora falou sobre a maturidade e concordamos em algo. Pelo menos elogiou a leitura, alegando que melhorou muito. Mas alertou sobre a falta de sociabilidade: ele diz que não tem amigos e não se esforça em fazê-los, não tem prazer em sentar em duplas e que fica muito nervoso quando contrariado; na hora lembrei da personalidade do pai, e o xinguei mentalmente por ter essa genética danada. Tive até que ler um Termo de Compromisso, onde se marcou os problemas pedagógicos de Tutu e estava escrito que escola pede que a família se comprometa em ter dedicação ao estudo e ao comportamento disciplinar coerente com as normas de educação apropriada à convivência social, juntamente com uma observação a mão, de que a escola fez pedidos desde o início do ano, sobre um Laudo Médico de um Especialista, onde a família ainda não o entregou para a escola. Enfim, assinei tal documento e pedi uma cópia, até para levar ao Neurologista de meu filho, para ver se ele faz um laudo para a escola. Mas também exigi um relatório minucioso sobre o comportamento social e cognitivo de Tutu para apresentar para o médico em questão.

Algo precisava ser feito, pelo meu filho, pelo seu estudo e capacidade de aprendizagem, para meu ser parar de sofrer. La fui eu buscar por mais ajuda especializada para Tutu, fui nas amigas Pedagogas, na Fonoaudióloga, na Pediatra Homeopata, nos Florais, nos esportes, no Neurologista novamente; tudo para que ninguém da escola tenha a petulância de dizer que nada fiz ou não me importei, pq até escutei o célebre ditado: "Em casa de ferreiro, o espeto é de pau." Além disso tudo, como trabalho na área educacional pública, sei que não vou mudar o sistema de ensino e nem meu filho com sua imaturidade do dia para a noite; portanto iniciei 2º turno educacional nas tardes semanais.

Tutu na EMEF fez minha vida virar de cabeça para baixo; sumiu a empreendedora e empresária, ficou somente a mãe 24 horas e a  Pedagoga em 2 turnos. Claro que não lido com isso muito bem; ser Mãe eu até assumi, ser Pedagoga em dois turnos ainda estou digerindo, mas deixar o lado empresarial tem me consumido, num grau altíssimo devo dizer. Me dói ser só Mãe, Pedagoga e Dona de Casa; passei uma grande parte da vida fugindo desses rótulos e aos 40 anos me vejo mergulhada nessas 3 funções até o pescoço.

Praticamente abandonei minha loja, não aceito mais grandes encomendas; faço pequenas coisas, cuja produção seja de no máximo 2 dias e larguei os cursos on-line; a Scrapier atualmente está em Stand By.

As tardes são de apoio maternal pedagógico, ver os deveres do dia, auxiliar nas tarefas de sala não terminadas (são mandadas para casa), ficar perto no dever de casa e fazer os "exercícios da mamãe" sobre leitura; pq embora não exista a obrigatoriedade dela no 1º ano, foi nítida a exigência e obviamente Tutu ficaria aquém da turma sem ela.

Ser Pedagoga foi uma escolha, ser mãe uma decisão muito bem pensada, ser empresária uma realização prazerosa, mas ser dona de casa, sinto muito, nunca quis ser; corro de fogão e limpeza como o Diabo foge da cruz, rs.

E me sinto sobrecarregada. Me sinto frustrada. Me sinto derrotada em alguns momentos e obviamente, como ser crítica e muito pensante, fico procurando onde errei... Me questiono mais como mãe... Pq preciso saber lidar com o filho que tenho. Ele é a cara do pai, o comportamental do pai, a imaturidade do pai, mas tem o temperamento mandão da mãe, rs. Preciso lembrar o tempo todo que embora ele seja um espelho meu em muitos aspectos e em vários momentos, Tutu tem suas próprias particularidades, que vão aparecendo mais com o avançar da idade e precisam ser respeitados; mesmo que doa, mesmo que ele quebre a cara, mesmo que ele precise amadurecer sozinho na luta da vida.

Enquanto isso eu tento me controlar para gritar menos com ele, falar menos vezes a mesma coisa, exigir menos de um comportamento que ele ainda não tem, puxar menos ele para um padrão que, no fim, é inexistente e utópico; preciso deixar ele um pouco solto também. Dar mais beijos, mais abraços, mais carinho, mais calmaria, mais quietude mental, mais brincadeiras, mais amor.

Mas admito que ter um filho é um trabalho árduo, não são só flores, nem tudo é tom pastel. Ter filho é a certeza de mudanças internas diárias, de quebra de paradigmas, fim de projeções e sentir as falhas (pessoais ou não) com mais força do que antes.

É a mania terrível (sim, sou individualista e egoísta) de se deixar em segundo plano em prol do filho; é despir de si mesma para pensar no outro que coloquei no mundo; é se renegar por alguém e no fundo, gostar disso sem admitir.

Sinceramente, é mais fácil gerenciar, empresariar e formar adultos do que ser mãe; mas quando esse menino que gerei e veio ao mundo me enche de abraços apertados, beijinhos estalados e diz que me ama; todas as dificuldades enfrentadas perdem espaço na minha mente e a frase dele acalenta meu coração.

Espero, sinceramente, ser a melhor mãe que me é possível ser...

Tomara que o futuro sorria para mim!




18 de ago de 2017

O que eu seria se não fosse a profissão que tenho?


O que eu seria se não fosse a profissão que tenho?


Historinha da minha vida, rs.


Há 20 anos atrás eu seria uma rebelde com jaqueta de couro, com uma moto e veterinária, ou oceanógrafa, ou pediatra; meu único mal foi ter bom gosto e querer profissões de gente rica.


Veterinária não existia na capital, no modo público... Não tinha condições de me bancar fora da casa de meus pais.

Oceanografia não existia no ES, só no RJ e no RS... Não tinha condições de me bancar fora da casa de meus pais.
Pediatria, pelo que me lembro, no modo público havia a UFES e no particular a Emescan; num eu não tinha pontuação/estudo para passar, no outro não tinha verba.

No auge da minha maturidade de 19 anos, o que existia na minha possibilidade, na minha frente e que eu gostava?


Tinha Artes Plásticas (mas era profissão de quem morria de fome - assim dizia meu pai, mesmo eu tendo uma boa mão para desenho e afins), Psicologia (mas não me achava capaz - grande erro da minha vida) e Pedagogia (afinal de contas eu gostava de ensinar coisas, gostava de crianças e de gerenciar ensinamentos).


Fui com tudo na Pedagogia!


E me lasquei... pq eu entrei para fazer a prova da Universidade com a teoria da Pedagogia de antes de 1996, quando o currículo acadêmico era outro; jamais quis ser professora (nem Magistério eu tinha), queria pesquisar, queria gerenciar, queria formar e capacitar adultos pensantes.


A verdade seja dita, queria alguma coisa pq já estava na idade de ir para um curso superior (os pais pressionando muito para eu ter um 3º grau), mas já que os "sonhos" de formação não eram possíveis, que eu pegasse qualquer coisa menos pior e que eu pudesse suportar estudando por 4 anos, fato!


Quando descobri no andamento do curso que eu seria professora, foi um balde de água fria! Mas tanto o pai quanto a mãe estavam contentes, eu era a filha que conseguiu entrar num curso superior, sem ter que pagar mensalidade para isso. Um orgulho para eles!


Entrar na UFES foi a abertura um mundo novo para mim, mundo de muitas descobertas e maturidade adquirida na marra, com 20 anos eu não era ninguém, uma boboca na verdade, rs.


Durante o percurso, a parte do ser pesquisador me cativou, depois descobri a Informática Educacional e vi ali meu viés por uns bons anos, até que entrei na Pedagogia Empresarial e ali vi terreno fértil; porém.... a realidade, dura e fria, foi outra.


A Informática educacional não criou muita força no estado, a única empresa que atuava bem nesse ramo (eu estagiava nela) fechou. A Pedagogia Empresarial era um jogo de cartas marcadas, estagiei muito bem na área, o que me possibilitou trabalhar nisso depois; mas infelizmente a empresa paulista que me empregava saiu do ES e aqui o povo não dava a maior importância sobre ter um Pedagogo dentro de uma empresa siderúrgica.


E no mercado de trabalho, eu tinha um diploma que me possibilitava dar aula para criança. Me lembro que nos anos finais da UFES eu saía capacitada para Ensino Fundamental (antigo 1ª a 4ª série), mas podia (e deveria) fazer Capacitação e Especialização em Educação Especial ou Educação Infantil, obviamente, fui para a Educação Infantil; já havia internalizado sobre mercado - vagas - empregos, quantitativamente falando.


Como sempre estagiei desde o primeiro período do curso, eu tinha um currículo com experiências profissionais muito boas, não foi difícil arrumar emprego de carteira assinada na área particular. Como eu trabalhava "pouco" comparado com os demais e ganhava "bem" comparado às amigas, fui levando de boa, sem grandes pretensões por anos a fio.


Mas já viu professor de escola, dando aula, ganhar muito? Pois bem, eu queria mais salário no orçamento doméstico de uma recém-casada. Saí da área pedagógica e fui para o mercado formal, caí numa empresa de telemarketing, onde vi que poderia crescer. Ledo engano, serviço muio estressante, com pouca valorização profissional e o pior, minha voz estava indo embora por excesso de trabalho; foi nesse momento que minha ficha caiu, se eu perder minha voz, meu diploma só servirá de enfeite. Pedi as contas e saí! Voltei para a escola que trabalhava antes, coloquei o rabo entre as pernas e acabei com qualquer pretensão pessoal de mudar de profissão.


Amigas falavam para eu entrar no Serviço Público, fazer concurso para dar aula em escola pública, pela seguridade mesmo; mas só de pensar nisso, eu ficava enojada. Pensava nas crianças carentes, remelentas, sujas e piolhentas, em instituições caindo aos pedaços, com salas super lotadas; era isso que as amigas concursadas me relatavam e eu não queria esse "sofrimento" na minha vida.


Fui me capacitar na minha área de formação, fiz uma pós-graduação em Supervisão Educacional e levava a vida sem maiores brilhos; como sempre ficava de olho nos cursos da Universidade, descobri que um curso de Pós havia descido ao nível de Capacitação, pensei na hora que isso seria alguma obrigatoriedade futura e lá fui eu para a UFES, afim de fazer Gestão Escolar.


Dito e feito! Quem não quisesse se matar dando aula, e desejasse atuar como Pedagoga, gerenciando e capacitando os demais, teria que ter Gestão Escolar no currículo.


Foi quando ocorreu um concurso público para Pedagoga com atuação em Gestão Escolar; como eu tinha o curso e sabia que o mercado era carente (Prefeituras com obrigatoriedade sobre esse profissional), fui lá, passei e entrei. Na minha imaturidade, eu teria "distância" da sala de aula, ledo engano, rs.


A primeira escola que fui trabalhar foi tudo de bom, bairro considerado "elitizado", professoras das antigas que me deram dicas maravilhosas e eu era a boa pedagoga pé no chão, aquela que conhecia a vivência (louca) de uma sala de aula; comigo não era no achismo ou no "tem que fazer", era na possibilidade de atuação. As crianças eram no patamar das escolas particulares em que havia trabalhado, estava no céu; mas tudo que está no céu um dia cai, caí! Tive que ir buscar uma "cadeira", posto de trabalho "perpétuo", seria meu local de trabalho por muitos anos até conseguir "tempo de casa", para lutar por postos melhores. Assim me ensinaram...


A segunda escola que fui, graças a ajuda da localização do Google, era a mais perto de minha casa; é num bairro considerado por muitos como violento e carente. Me deram milhões de recomendações contrárias sobre o local, mas era o único "perto" de casa  e eu morava num Município até então, desconhecido por mim. Fui na fé a na coragem, pq o medo já era meu companheiro.


Entrei numa escola que tinha aquela equipe formada há anos, professores com uma puta bagagem pedagógica, que além de conhecer bem a comunidade, me ensinaram o caminho das pedras para meu sofrimento ser menor. E o ser humano se adapta ao ambiente que está inserido, me adaptei na força e na desconstrução de um monte de coisas que julgava como certa ou errada, a maturidade delas esbofeteou na minha cara tudo aquilo que nunca havia passado, socialmente falando. E no decorrer desses 10 anos como servidora pública, fiz 9 nessa escola; creio que atuo bem lá, afinal de contas, ninguém me botou para correr até hoje, nem professores, nem comunidade escolar. Admito que só saio daquela Unidade quando puder trabalhar na escola do bairro onde moro; é o sonho atual, ir e voltar a pé para o trabalho, quem nunca?


Mas fico me perguntando (inquietamente) o que eu seria se não fosse Pedagoga...


Se eu gosto da minha profissão? Sim, senão não suportaria ela até hoje, ainda mais com todas as problematizações que existem; pois a Educação está numa ladeira social deprimente. Mas eu ainda tenha o sonho de 20 anos atrás, aquele de trabalhar com outras áreas...


Ser oceanógrafa não está mais nos meus planos, embora o salário seja ótimo. Veterinária, atualmente me contento em cuidar dos meus bichos, talvez quando eu aposentar eu resolva compreender o milagre da química que nunca entrou muito bem na minha cabeça. Psicologia, ainda é uma vontade latente, quem sabe um dia.... mas creio que teria que passar por um especialista primeiro, hahahaha! Artes Plásticas, bem, seria uma desconstrução completa do ser que sou hoje, inclusive nas minhas prerrogativas e pré conceitos existentes, tanto da área, quanto fora dela. Mas me questiono se teria saco, essa é a palavra, para aturar 4 anos de formação em horários loucos e descompromissados com uma grade fechada por turno; no mínimo teria que deixar de trabalhar para dar conta de participar de aulas nos turnos matutino, vespertino e noturno.. Quem me bancaria? Acho q só quando aposentar mesmo.


E nas andanças da vida, já me peguei sonhando em empregos burocráticos com sala própria, ar condicionado e salário alto, tão utópicos no meu currículo quanto a paz mundial ; mas me pego lendo sobre graduações em Filosofia, em Sociologia e até Parapsicologia; enfim, profissões em que continuo "ensinando" e ganhando mal, rs. A única certeza que tenho é que não iria para graduações fechadas nas áreas de exatas e biomédicas, pertenço mesmo a área de humanas.


O que será da minha vida profissional futura com tantas inquietações mentais? Sinceramente não sei....


Mas estou numa vibe estranha, já faz um tempinho é verdade, onde rogo para que a sexta-feira chegue, aguardando por um sábado "babadeiro" (que obviamente quase não ocorre) e fico triste ao final do domingo, quando lembro que tudo recomeça na segunda-feira às 5 da madrugada.


Isso tem realmente me preocupado cada vez mais....


Mas ainda não tenho uma solução ou resolução sobre esse sentimento problema...


Será a crise dos 40 anos?


Será rebeldia profissional??


Ou será que sofro com a Síndrome de Burnout???


Acho que está na hora deu buscar ajuda profissional...

16 de ago de 2017

Crente fanático é chato; crente fanático pagão é pior ainda!



Crente fanático é chato; crente fanático pagão é pior ainda!

Nesse meu retorno aos estudos "esquisotéricos", trabalhos mágicos, reconexões e afins; fico de longe observando os demais... afinal de contas, estou em terreno "novo" e preciso compreender como os "nativos" agem, antes de intervir de alguma maneira ou até mesmo, deixar o circo pegar fogo.


E fico cá, nas minhas observâncias, me questionando: pq o povo continua tão chato?


Antes deu "sumir" do mapa, esse povo detentor absoluto da verdade (verdade esta não dita por eles, mas como bom papagaio, repetida por esses), ficavam arrotando "isso" ou "aquilo", dizendo o que se "pode" e o que não "se deve fazer e até o "proibidão pagão".


Eu que nunca fui muito de seguir regras, pq sofro do mal absoluto da aprendizagem (interagir e sofrer as consequências do ato de pensar, sentir e vivenciar); sempre preferi saber o pq não se pode algo e se não pode, pq raios serve a transgressão, rs.


Antes de seguir gurus, sempre segui meus instintos, minha energia e meu medo; pq quem não sente medo é um tolo...


Alguém me dizer que tal coisa não é para o meu bico, que tal ser não é alcançado ou pior, que só fulano de tal com o grau master power é que pode, aaaahhhhh.... é me atiçar, fato.


E eu vejo uma velha guarda repetindo coisas (que hj em dia não acredito mais, pq minha vivência foi outra ou pq meu estudo me levou a outro patamar), levando uma garotada no mesmo caminho de repetências e me questiono: Quem evoluiu? Eu que pulei fora do coletivo ou o povo que continua olhando para as mesmas estrelas sem perceber a mudança no céu?


Com o tempo e idade (maturidade faz milagres) aprendi as duras penas, que cada um tem seu tempo e nem adianta tentar ajudar na maioria das vezes, todo mundo precisa passar pelo mal absoluto da aprendizagem; mais cedo ou mais tarde, isso chega para todos, ainda bem.


Só que perceber nego desdenhando do outro... acho triste!

Ver gente agindo como professor arcaico em sala de aula, podando aluno... acho triste!
Massificando uma pessoa, pq "tem que ser assim"... acho triste!

Nessas horas agradeço ter dado a "louca" e sumido... ser chamada de "insana" e ter largado listas e grupos pagãos - inclusive suas lutas de Ego (nenhuma saudade disso),  ser apontada como a "traidora" por ter me afastado das "amizades", justamente por não concordar mais com elas; enfim... ter me despido do velho em busca do novo em mim!


Tem uma frase que gosto muito: Por mais que o caminho espiritual passe pelo coletivo, ele é sempre só!


Só vc e o Universo.

Só vc e a Divindade.
Só vc e seu credo.
Só vc e por vc.

Coletividade é bom; claro que é!

Ter com quem dividir conhecimentos e vivências é ótimo; é uma via dupla (ou mais) de aprendizado.
Mas no coletivo há o Ego; grande vilão individual.
Obviamente, não sou livre dele!

Admito que preciso internalizar que a coletividade pode ser interessante (novamente), diminuir um pouco as barreiras em relação a isso, saber que podem vir (e deixar vir) coisas boas de terrenos considerados áridos por mim...


Preciso, de fato, aprender a diminuir minha criticidade, ficar calada (inclusive) e deixar o povo errar para aprender o certo, rs.


Sobre os "chatos" que continuam verbalizando as mesmas coisas de uma década atrás, inclusive suas reclamações, suas energias egóicas ou de perseguição.... Bem, a caravana passa (eu estou nela) e os cães continuam ladrando...


15 de ago de 2017

A Morte


A Morte...
Já a senti algumas vezes.
Bem próxima na verdade, principalmente nos momentos em que os últimos suspiros foram nos meus braços. Foi assim com meu pai, com minha avó, com minhas cadelas e agora com o Tião, o Coleiro da casa.
Cada morte é sentida de um modo diferente e especial... O choque percorrido pelo corpo com meu pai, sua surpresa e posterior revolta; a paz com minha avó, seu susto e posterior aceitação... com os animais não foi diferente... O sono com a morte da Luna; a liberdade com a partida consentida da Xenna; a serenidade alegre com o cessar da dor de Lilica.
Tudo isso, cada sentimento aqui relatado, passou pelo meu corpo na partida de cada ser, tudo sentido com exatidão pelo plexo solar.
Mas faz um tempinho que a morte não passava pelo meu corpo, desta vez a senti de um modo muito diferenciado, foi com a partida de Tião em 07/08/17.
Nunca senti o medo da morte, mas pude perceber a vontade de fugir dela; essa era a energia de Tião, ele não queria partir. Quando estava minhas mãos emanava medo, seu olhar era de medo, arfava medo e isso, além de me surpreender, atiçou a minha curiosidade, até certo ponto, mórbida.
Diferente dos outros animais, cuja morte foi tranquila, Tião se debatia em movimentos e vontades de voar para longe da morte, literalmente.
Tentou voar do pano em que estava, caindo na mesa, tentou por 2 vezes voar de minha mão, até caindo no chão; todos seus movimentos de voo terminavam com ele ficando de barriga para cima e pescoço virado, uma tentativa desesperada de fuga pela vida. Nunca havia visto isso antes, animais também tem medo do desconhecido pelo visto.
Nisso, coloquei novamente Tião nas minhas mãos e fui conversando com ele, tentando acalmá-lo, explicando sobre a morte e a libertação do corpo físico, como quem fala com um filho, convencendo-o que ele teria paz e liberdade de voo em céus mais altos. E ele foi relaxando, se ajeitando, respirando pausadamente e cada vez mais profundo, apoiou a cabeça em meu dedo, deitou e num último suspiro se foi. Fiquei ainda um tempo na mesma posição, esperando o voo completo e depois a energia apressada passou por mim.
Olhando para seu corpo inerte, pensei sobre o que vi, a vontade dele em fugir de algo inevitável, ainda mais depois de 10 anos de vida.
Eu tinha certeza que os animais aceitavam a morte melhor que os humanos.
Me enganei.
A morte sempre tem uma lição a nos ensinar...

14 de ago de 2017

Quando Ela aparece


Estou no fim de um período de 7 anos de afastamento espiritual ortodoxo, sobre isso vale um post, mas ficará para outro dia essa proza.

Mas o que importa é que com a reaproximação da tal autorização, certas coisas tem acontecido, além das manifestações normais do mundo onírico, as físicas tem aparecido, cada vez com mais frequência.

No último dia 5 de agosto de 2017, fui animadamente limpar, lavar, purificar e colocar minhas estátuas para receber os primeiros raios de sol do novo ano que se iniciava... até aí tudo bem e como de costume, fui pegar o celular para tirar fotos, pq sim, sou um ser altamente visual, adoro registrar momentos; que os digam os inúmeros álbuns de fotos, rs.

Tirei uma foto com o sol bem atuante e outra, instantes depois, quando uma nuvem resolveu passar na frente. No primeiro momento nada percebi, quando joguei a imagem para meu Instagram e publiquei é que vi algo diferente na tela.

Pareidolia? 

Paranormalidade? 
Manifestação? 
O que apareceu afinal?

Bem, já informo que no momento da foto, todos os animais da casa estavam lá fora comigo; portanto, quem ou o que apareceu na vidraça? 


Tal ser estava dentro da casa ou foi refletida por estar no lado de fora junto comigo? 

Perguntas sem respostas... cada um pode interpretar como quiser; mas eu já tenho minhas conjecturas sobre as fotos, fato!

Ficam as imagens para comparação e possível argumentação.




13 de ago de 2017

Oráculo de Isis para meu 2017



Um colega da HON chamado Otávio, do meu grupo do whatsapp, tirou um oráculo para meu ano, de acordo com o que os deuses querem para mim.. não fiz pergunta, deixei livre.

No oráculo do escaravelho, a pedra ou escaravelho que saiu para mim foi a "tigela de oferendas", isso quer dizer que eu tenho muito a dar aos deuses, a humanidade, as pessoas.

Na verdade, a tigela, na figura aparece como um hieróglifo vazio, mas na verdade ela se mostra como algo pronto para receber.

No oráculo de Isis, a carta que saiu no oráculo de Isis, foi o "pilar da luz", seres de luz,  são várias entidades, os Netjerus e outros seres de luz estão esperando por mim, para tornar-me um instrumento de suas ações neste mundo e em outros mundos tb.

O pilar da luz mostra que os seres estelares , que eram tão valorizados, tão adorados em Kemet,  eles buscam por mim, eles me tem como um ser precioso, como um vaso no qual eles vão despejar , eles vão colocar, eles vão depositar, o poder, o amor e a cura que eu preciso, que as pessoas precisam ao meu redor, que o mundo precisa.


Então devo esvaziar meu coração, esvaziar da minha vida os sentimentos negativos, as tristezas,  as mágoas, tudo que for negativo e tudo aquilo que for necessário; devo me fortalecer, fortalecer minha matéria, minha espiritualidade, pq o momento pede  e o momento indica, pois estou no caminho de vir algo maior do que qualquer coisa que eu imagine.



12 de ago de 2017

Aset ano 25



Quando um texto, um oráculo, vem de modo tão claro e decidido;
reverbera de tal maneira em sua alma, que ficar pensando a respeito não é opção.

'Agir e não deixar mais nada para depois'; 
essa é a frase para o meu ano!




"Não persigam. Não perambulem. Não trucidem sem razão. Não transfiram sua responsabilidade para outrem. Não falhem em manter sua palavra. Ela vem, Ela está vindo, Ela veio. A vocês é dado o Agora. O que vocês fazem do Agora está em suas mãos fazer. Façam-no, então, plenamente e com todo o amor que possuem."

Dua Sekhmet!
Dua Ma'at!



11 de ago de 2017

Energia



Sobre o dia 02/08/2017

Tremendo...


Vibrando...

Sentindo...

Não tenho como controlar meu corpo, são anos de águas paradas que voltam a se movimentar e fluir dentro de mim; o rio voltou a correr.

Inexplicável sentimento.

Pertencimento ao nível máximo.

A prova definitiva q eu precisava.

Esse ano vai ser um tudo de recomeços, aprendizados e assim espero, grandes vitórias; pq eu não tenho minha Mãe à toa, muito menos meus Amados!

Aquele calor, aquele fogo, aquela sensação, reacesa dentro de mim!

Meus pés afundam docemente nas areias do deserto; voltei a caminhar!

Dua Sekhmet!
Dua Amon-rá!
Dua Bast!
Dua Heru-Wer!