pulo

15 de ago de 2017

A Morte


A Morte...
Já a senti algumas vezes.
Bem próxima na verdade, principalmente nos momentos em que os últimos suspiros foram nos meus braços. Foi assim com meu pai, com minha avó, com minhas cadelas e agora com o Tião, o Coleiro da casa.
Cada morte é sentida de um modo diferente e especial... O choque percorrido pelo corpo com meu pai, sua surpresa e posterior revolta; a paz com minha avó, seu susto e posterior aceitação... com os animais não foi diferente... O sono com a morte da Luna; a liberdade com a partida consentida da Xenna; a serenidade alegre com o cessar da dor de Lilica.
Tudo isso, cada sentimento aqui relatado, passou pelo meu corpo na partida de cada ser, tudo sentido com exatidão pelo plexo solar.
Mas faz um tempinho que a morte não passava pelo meu corpo, desta vez a senti de um modo muito diferenciado, foi com a partida de Tião em 07/08/17.
Nunca senti o medo da morte, mas pude perceber a vontade de fugir dela; essa era a energia de Tião, ele não queria partir. Quando estava minhas mãos emanava medo, seu olhar era de medo, arfava medo e isso, além de me surpreender, atiçou a minha curiosidade, até certo ponto, mórbida.
Diferente dos outros animais, cuja morte foi tranquila, Tião se debatia em movimentos e vontades de voar para longe da morte, literalmente.
Tentou voar do pano em que estava, caindo na mesa, tentou por 2 vezes voar de minha mão, até caindo no chão; todos seus movimentos de voo terminavam com ele ficando de barriga para cima e pescoço virado, uma tentativa desesperada de fuga pela vida. Nunca havia visto isso antes, animais também tem medo do desconhecido pelo visto.
Nisso, coloquei novamente Tião nas minhas mãos e fui conversando com ele, tentando acalmá-lo, explicando sobre a morte e a libertação do corpo físico, como quem fala com um filho, convencendo-o que ele teria paz e liberdade de voo em céus mais altos. E ele foi relaxando, se ajeitando, respirando pausadamente e cada vez mais profundo, apoiou a cabeça em meu dedo, deitou e num último suspiro se foi. Fiquei ainda um tempo na mesma posição, esperando o voo completo e depois a energia apressada passou por mim.
Olhando para seu corpo inerte, pensei sobre o que vi, a vontade dele em fugir de algo inevitável, ainda mais depois de 10 anos de vida.
Eu tinha certeza que os animais aceitavam a morte melhor que os humanos.
Me enganei.
A morte sempre tem uma lição a nos ensinar...

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