pulo

18 de ago de 2017

O que eu seria se não fosse a profissão que tenho?


O que eu seria se não fosse a profissão que tenho?


Historinha da minha vida, rs.


Há 20 anos atrás eu seria uma rebelde com jaqueta de couro, com uma moto e veterinária, ou oceanógrafa, ou pediatra; meu único mal foi ter bom gosto e querer profissões de gente rica.


Veterinária não existia na capital, no modo público... Não tinha condições de me bancar fora da casa de meus pais.

Oceanografia não existia no ES, só no RJ e no RS... Não tinha condições de me bancar fora da casa de meus pais.
Pediatria, pelo que me lembro, no modo público havia a UFES e no particular a Emescan; num eu não tinha pontuação/estudo para passar, no outro não tinha verba.

No auge da minha maturidade de 19 anos, o que existia na minha possibilidade, na minha frente e que eu gostava?


Tinha Artes Plásticas (mas era profissão de quem morria de fome - assim dizia meu pai, mesmo eu tendo uma boa mão para desenho e afins), Psicologia (mas não me achava capaz - grande erro da minha vida) e Pedagogia (afinal de contas eu gostava de ensinar coisas, gostava de crianças e de gerenciar ensinamentos).


Fui com tudo na Pedagogia!


E me lasquei... pq eu entrei para fazer a prova da Universidade com a teoria da Pedagogia de antes de 1996, quando o currículo acadêmico era outro; jamais quis ser professora (nem Magistério eu tinha), queria pesquisar, queria gerenciar, queria formar e capacitar adultos pensantes.


A verdade seja dita, queria alguma coisa pq já estava na idade de ir para um curso superior (os pais pressionando muito para eu ter um 3º grau), mas já que os "sonhos" de formação não eram possíveis, que eu pegasse qualquer coisa menos pior e que eu pudesse suportar estudando por 4 anos, fato!


Quando descobri no andamento do curso que eu seria professora, foi um balde de água fria! Mas tanto o pai quanto a mãe estavam contentes, eu era a filha que conseguiu entrar num curso superior, sem ter que pagar mensalidade para isso. Um orgulho para eles!


Entrar na UFES foi a abertura um mundo novo para mim, mundo de muitas descobertas e maturidade adquirida na marra, com 20 anos eu não era ninguém, uma boboca na verdade, rs.


Durante o percurso, a parte do ser pesquisador me cativou, depois descobri a Informática Educacional e vi ali meu viés por uns bons anos, até que entrei na Pedagogia Empresarial e ali vi terreno fértil; porém.... a realidade, dura e fria, foi outra.


A Informática educacional não criou muita força no estado, a única empresa que atuava bem nesse ramo (eu estagiava nela) fechou. A Pedagogia Empresarial era um jogo de cartas marcadas, estagiei muito bem na área, o que me possibilitou trabalhar nisso depois; mas infelizmente a empresa paulista que me empregava saiu do ES e aqui o povo não dava a maior importância sobre ter um Pedagogo dentro de uma empresa siderúrgica.


E no mercado de trabalho, eu tinha um diploma que me possibilitava dar aula para criança. Me lembro que nos anos finais da UFES eu saía capacitada para Ensino Fundamental (antigo 1ª a 4ª série), mas podia (e deveria) fazer Capacitação e Especialização em Educação Especial ou Educação Infantil, obviamente, fui para a Educação Infantil; já havia internalizado sobre mercado - vagas - empregos, quantitativamente falando.


Como sempre estagiei desde o primeiro período do curso, eu tinha um currículo com experiências profissionais muito boas, não foi difícil arrumar emprego de carteira assinada na área particular. Como eu trabalhava "pouco" comparado com os demais e ganhava "bem" comparado às amigas, fui levando de boa, sem grandes pretensões por anos a fio.


Mas já viu professor de escola, dando aula, ganhar muito? Pois bem, eu queria mais salário no orçamento doméstico de uma recém-casada. Saí da área pedagógica e fui para o mercado formal, caí numa empresa de telemarketing, onde vi que poderia crescer. Ledo engano, serviço muio estressante, com pouca valorização profissional e o pior, minha voz estava indo embora por excesso de trabalho; foi nesse momento que minha ficha caiu, se eu perder minha voz, meu diploma só servirá de enfeite. Pedi as contas e saí! Voltei para a escola que trabalhava antes, coloquei o rabo entre as pernas e acabei com qualquer pretensão pessoal de mudar de profissão.


Amigas falavam para eu entrar no Serviço Público, fazer concurso para dar aula em escola pública, pela seguridade mesmo; mas só de pensar nisso, eu ficava enojada. Pensava nas crianças carentes, remelentas, sujas e piolhentas, em instituições caindo aos pedaços, com salas super lotadas; era isso que as amigas concursadas me relatavam e eu não queria esse "sofrimento" na minha vida.


Fui me capacitar na minha área de formação, fiz uma pós-graduação em Supervisão Educacional e levava a vida sem maiores brilhos; como sempre ficava de olho nos cursos da Universidade, descobri que um curso de Pós havia descido ao nível de Capacitação, pensei na hora que isso seria alguma obrigatoriedade futura e lá fui eu para a UFES, afim de fazer Gestão Escolar.


Dito e feito! Quem não quisesse se matar dando aula, e desejasse atuar como Pedagoga, gerenciando e capacitando os demais, teria que ter Gestão Escolar no currículo.


Foi quando ocorreu um concurso público para Pedagoga com atuação em Gestão Escolar; como eu tinha o curso e sabia que o mercado era carente (Prefeituras com obrigatoriedade sobre esse profissional), fui lá, passei e entrei. Na minha imaturidade, eu teria "distância" da sala de aula, ledo engano, rs.


A primeira escola que fui trabalhar foi tudo de bom, bairro considerado "elitizado", professoras das antigas que me deram dicas maravilhosas e eu era a boa pedagoga pé no chão, aquela que conhecia a vivência (louca) de uma sala de aula; comigo não era no achismo ou no "tem que fazer", era na possibilidade de atuação. As crianças eram no patamar das escolas particulares em que havia trabalhado, estava no céu; mas tudo que está no céu um dia cai, caí! Tive que ir buscar uma "cadeira", posto de trabalho "perpétuo", seria meu local de trabalho por muitos anos até conseguir "tempo de casa", para lutar por postos melhores. Assim me ensinaram...


A segunda escola que fui, graças a ajuda da localização do Google, era a mais perto de minha casa; é num bairro considerado por muitos como violento e carente. Me deram milhões de recomendações contrárias sobre o local, mas era o único "perto" de casa  e eu morava num Município até então, desconhecido por mim. Fui na fé a na coragem, pq o medo já era meu companheiro.


Entrei numa escola que tinha aquela equipe formada há anos, professores com uma puta bagagem pedagógica, que além de conhecer bem a comunidade, me ensinaram o caminho das pedras para meu sofrimento ser menor. E o ser humano se adapta ao ambiente que está inserido, me adaptei na força e na desconstrução de um monte de coisas que julgava como certa ou errada, a maturidade delas esbofeteou na minha cara tudo aquilo que nunca havia passado, socialmente falando. E no decorrer desses 10 anos como servidora pública, fiz 9 nessa escola; creio que atuo bem lá, afinal de contas, ninguém me botou para correr até hoje, nem professores, nem comunidade escolar. Admito que só saio daquela Unidade quando puder trabalhar na escola do bairro onde moro; é o sonho atual, ir e voltar a pé para o trabalho, quem nunca?


Mas fico me perguntando (inquietamente) o que eu seria se não fosse Pedagoga...


Se eu gosto da minha profissão? Sim, senão não suportaria ela até hoje, ainda mais com todas as problematizações que existem; pois a Educação está numa ladeira social deprimente. Mas eu ainda tenha o sonho de 20 anos atrás, aquele de trabalhar com outras áreas...


Ser oceanógrafa não está mais nos meus planos, embora o salário seja ótimo. Veterinária, atualmente me contento em cuidar dos meus bichos, talvez quando eu aposentar eu resolva compreender o milagre da química que nunca entrou muito bem na minha cabeça. Psicologia, ainda é uma vontade latente, quem sabe um dia.... mas creio que teria que passar por um especialista primeiro, hahahaha! Artes Plásticas, bem, seria uma desconstrução completa do ser que sou hoje, inclusive nas minhas prerrogativas e pré conceitos existentes, tanto da área, quanto fora dela. Mas me questiono se teria saco, essa é a palavra, para aturar 4 anos de formação em horários loucos e descompromissados com uma grade fechada por turno; no mínimo teria que deixar de trabalhar para dar conta de participar de aulas nos turnos matutino, vespertino e noturno.. Quem me bancaria? Acho q só quando aposentar mesmo.


E nas andanças da vida, já me peguei sonhando em empregos burocráticos com sala própria, ar condicionado e salário alto, tão utópicos no meu currículo quanto a paz mundial ; mas me pego lendo sobre graduações em Filosofia, em Sociologia e até Parapsicologia; enfim, profissões em que continuo "ensinando" e ganhando mal, rs. A única certeza que tenho é que não iria para graduações fechadas nas áreas de exatas e biomédicas, pertenço mesmo a área de humanas.


O que será da minha vida profissional futura com tantas inquietações mentais? Sinceramente não sei....


Mas estou numa vibe estranha, já faz um tempinho é verdade, onde rogo para que a sexta-feira chegue, aguardando por um sábado "babadeiro" (que obviamente quase não ocorre) e fico triste ao final do domingo, quando lembro que tudo recomeça na segunda-feira às 5 da madrugada.


Isso tem realmente me preocupado cada vez mais....


Mas ainda não tenho uma solução ou resolução sobre esse sentimento problema...


Será a crise dos 40 anos?


Será rebeldia profissional??


Ou será que sofro com a Síndrome de Burnout???


Acho que está na hora deu buscar ajuda profissional...

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